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Mensagens

Minha resenha na Amálgama sobre "O cânone americano", do Harold Bloom

Minha resenha na Amálgama sobre "O cânone americano", do Harold Bloom (Ed. Objetiva, selo da Companhia das Letras, tradução de Denise Bottmann): https://www.revistaamalgama.com.br/12/2017/resenha-o-canone-americano-harold-bloom/

Mensagens recentes

Minha crônica na Gazeta do Sul de hoje

Um cheiro estranho no ar “Aquelas pessoas estavam apodrecendo e não sabiam.” Assim termina uma crônica de Nelson Rodrigues em O reacionário – memórias e confissões. Curioso é que muita gente considera a palavra reacionário um xingamento e ao mesmo tempo enaltece a obra do escritor. Pinçam algumas frases que, mal sabem, atingem a eles e acham que estão “lacrando”, como dizem.
A frase acima encerrava uma crônica de 1970 em que um velho comunista, numa reunião de intelectuais (“Preliminarmente, devo confessar meu horror ao intelectuais, ou melhor dizendo, a quase todos os intelectuais”, escreve Nelson), afirmou ser inevitável o assassinato em nome da ideologia. Nelson, então, contestou: “Se você acha inevitável um assassinato de um inocente, também é um assassino”.
Não é diferente do que vemos hoje, quando se defende bandidos em nome de um partido, de uma ideologia, ou apenas por não dar o braço a torcer e dizer que errou. Direita e esquerda pregam aos convertidos que, em bando, em manada,…

Notas de leitura sobre “Siete casas vacías”, de Samanta Schweblin

Para Gaston Bachelard a casa representa o ser em seu interior, cada cômodo e andar simbolizando os estados da alma. O filósofo também atribui à casa o símbolo feminino de proteção, refúgio. Para mim foi inevitável ler os contos de Samanta Schweblin reunidos em Siete casas vacías (Editorial Páginas de Espuma, 123 páginas, ainda sem tradução por aqui. Se alguma editora se interessar, me habilito para a empreitada) sem pensar nessas representações. Almas vazias, mulheres desprotegidas e em busca de proteção.
Também me provocou a escolha do número sete. Por que este número? O livro originalmente se chamava “Las casas vacías”, contando com seis narrativas ganhadoras de um concurso. Posteriormente foi acrescentado outro conto, “Un hombre sin suerte”, que destoa (aparentemente como vamos ver mais adiante) dos demais. Por acaso (ou nada é por acaso?), chegou aqui na toca há pouco tempo o “Dicionário de símbolos”, de Jean Chevalier e Alan Gheerbrant, que reserva boas páginas para o verbete sobr…

Quando se perde um membro

Leonardo Brasiliense reforça intencionalmente alguns clichês sobre famílias disfuncionais em seu segundo romance, Roupas sujas (Companhia das Letras, 177 páginas): a primogênita que vê a irmã mais nova se casar primeiro e além disso precisa assumir o papel materno já que a mãe morreu, os gêmeos que disputam a mesma mulher, um pai autoritário e beberrão, que também tem uma rixa com um vizinho por causa de limites de propriedade, terminando de forma trágica, a irmã boazinha e o irmão que a tudo observa, analisa e depois transforma em um romance.
O que poderia ser um problema, nas mãos de um bom escritor como Leonardo Brasiliense se percebe que é uma estratégia e não deixa de ser um resgate de um tipo de narrativa que pouco se faz hoje em dia, um relato de uma família do interior com todos os códigos patriarcais bem delineados e as funções de cada membro estabelecidas e que são devidamente trocadas quando um membro falta. Não por acaso cada um dos gêmeos perde uma parte do corpo (um a ore…

Minha crônica na Gazeta do Sul de hoje.

“Decifra-me ou te devoro”

Em alguns momentos da minha vida eu vivia com a Bíblia debaixo do braço. Não ficava, porém, sempre com ela debaixo do braço. Eu também a lia. Lia, sublinhava, fazia anotações. E a questionava. Talvez a sua leitura a tenha me tornado um ateu, ou, como costumo dizer, voltado a ser ateu, afinal, nascemos sem crença alguma. É um livro repleto de contradições, mas não é o meu objetivo debatê-las agora.
Um dos métodos que seguia para ler a Bíblia era abrir aleatoriamente uma página, apontar com o dedo um trecho, de olhos fechados, e depois desfrutar dos versículos ao acaso. Achava que era alguma mensagem divina que recebia. Hoje utilizo a mesma estratégia com os livros do filósofo Friedrich Nietzsche.
Abro aleatoriamente uma página do livro Humano, demasiado humano II, em uma edição recente, de bolso, da Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza. No topo da página 117, um aforismo, de número 348, me chama a atenção:
Da terra dos canibais. – Na solidão o solitário devora a si mes…

Escrevo no site Amálgama uma crítica sobre romance de Antônio Xerxenesky