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Escrevi sobre o suicídio no site Amálgama

Mensagens recentes

Nei Duclós escreve sobre Cacos e outros pedaços

http://outubro.blogspot.com.br/2017/04/o-mosaico-literario-de-cassionei.html

Quando a telenovela nos leva a um bom contista

Meu primeiro contato com os personagens de Aníbal Machado se deu através de uma novela de televisão, “Felicidade”, de 1991, no horário das 6, antes da novela das 7 “Vamp”, que era a preferida daquele pré-adolescente de 12 anos que sonhava em ser escritor. Chico Treva era o que mais me chamava a atenção. Pois foi nos créditos que me lembro de ter visto que a história era baseada na obra do escritor mineiro. Encontrei, para minha sorte, na biblioteca da minha escola, um exemplar dos seus contos, reunidos em A morte da porta-estandarte e outras histórias, da maravilhosa coleção “Sagarana” da José Olympio Editora, e fui apresentado a um grade contista. Pensando bem, acho que isso foi na reprise de 1998. Reli alguns dos contos por estes dias, visto que estou seguindo, em ordem cronológica, uma lista de contistas que consta nos apêndices do livro Conto moderno contemporâneo, de Antonio Hohfeldt. Reli, por enquanto, apenas os cinco contos de Vila Feliz, de 1944 (na capa original consta como n…

O suicídio é...

... o assunto do momento por causa da série "Os 13 porquês" e do tal do jogo da Baleia Azul (um boato com um quê de verdade). "Enquanto refletimos sobre o suicídio, não o cometemos", escrevo neste pequeno ensaio que escrevi sobre o tema relacionado à literatura, que já foi citado em outros ensaios acadêmicos. Talvez escreva algo neste feriadão. https://online.unisc.br/…/inde…/signo/article/view/2326/2002

Resenhas sobre obras de Machado de Assis - II

De louco todos temos um pouco
Na capa de O alienista, numa antiga edição da editora Ática, o dedo acusador do personagem principal aponta para o leitor como se dissesse: “você é o louco; é você que quero prender nessa casa.” É o que acontece com a leitura desse conto longo, quase uma novela, a qual coloco ao lado de outras “pequenas grandes” obras da literatura universal, como A metamorfose, de Kafka; A morte de Ivan Ilich, de Tolstói; A volta do parafuso, de Henry James; Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Stevenson e Bartleby,o escrivão, de Melville. Machado de Assis, nosso maior escritor, nos prende na sua narrativa e deixa uma dúvida no ar: será que somos loucos também? O conto, publicado primeiramente na coletânea Papéis avulsos, de 1882, relata a história de Simão Bacamarte, médico psiquiatra que ergue, na pequena cidade de Itaguaí do século XIX, um hospício que recebe o nome de Casa Verde, com intuito de estudar as causas e sintomas dos problemas mentais. Recolhe uma e outra pessoa, até qu…

Nélida Piñon mostra suas armas

Os contos de Sala de armas (Editora Record, 124 páginas, esgotado) nos mostra uma autora de leitura difícil, complexa, que mais sugere do que conta. Porém, se o leitor for paciente e participativo, desfrutará de uma ótima obra literária, repleta de relações intertextuais, principalmente com a mitologia. Como um personagem do cruel conto “Sangue esclarecido”, Nélida Piñon abre a porta e nos convida, como animais sedentos que sentem o cheiro da presa, a participar desse festim. Boa parte dos enredos giram em torno de relacionamentos. Homens e mulheres, quase sempre não nomeados, encaram um mundo duro, de desencontros e conflitos, de perdas e incertezas. No primeiro conto, “Ave de paraíso”, a mulher recebe visitas do homem, oferecendo-lhe “torta de chocolate e licor de pera, as frutas colhidas na horta”. O relacionamento se mantém durante muito tempo dessa forma, até que se casam, mas ele continua não morando com ela, causando, claro, estranhamento entre parentes e vizinhos, a mulher send…

Prefiro lista de livros

O ser humano adora listas. Qualquer tipo de lista. Há obras literárias que tratam do tema. Lembro-me agora, de cabeça, de dois livros: A vertigem das listas, de Umberto Eco, e Alta fidelidade, de Nick Hornby, romance adaptado para o cinema. Há, também, um conto originalíssimo de Woody Allen, na coletânea Cuca fundida, em que o narrador analisa a publicação póstuma de listas de roupas para a lavanderia elaboradas por um escritor, algo do tipo “diga-me que roupas tens para lavar, que te direi quem és”. Eu, por exemplo, faço muitas listas, principalmente relacionadas aos livros: livros que li (nome, aliás, do blog do excelente leitor Aguinaldo Severino), livros que desejo ler, livros que deixei de ler, livros que não quero ler, livros sobre suicídio, das pessoas para quem devo mandar o PDF do meu último livro, das pessoas que compraram meu livro, das pessoas que querem comprar meu livro, das pessoas que dizem que querem comprar meu livro, mas se escapam quando pergunto “quando?”, etc. A li…