Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2016

Leituras e releituras que fiz em 2016

O mundo segundo Garp, John Irving As bacantes, Eurípedes
Psicose, Robert Bloch
Nem todo canário é belga, Flavio Moreira da Costa
Anotações durante o incêndio, Cintia Moscovich
Contarlo todo, Jeremías Gamboa
Édipo Rei, Sófocles
Jeito de matar lagartas, Antonio Carlos Viana
Todos os poemas, Paul Auster
Inventário do Ir-remediável, Caio Fernando Abreu
Noites brancas, Dostoievski
Os sete contra Tebas, Ésquilo
O primeiro da fila, Henrique Rodrigues
As fenícias, Eurípedes
Un sueño realizado y otros cuentos, Juan Carlos Onetti
Édipo em Colono, Sófocles
Logicomix Uma Jornada Épica em Busca da Verdade (Graphic Novel), Apostolos Doxiadis
Figuraciones Mías - Sobre El Gozo De Leer Y El Riesgo De Pensar, Fernando Savater
Antígona, Sófocles
El pozo, Juan Carlos Onetti
O legado de Humboldt, Saul Bellow
O evangelista, Manoel Herzog
Quem pode julgar a primeira pedra?, Gustavo Bernardo Krause
Borges vai ao cinema com Maria Kodama, Escobar Nogueira
Melhores crônicas, José Castello
Uma menina está perdid…

Um toque

Chuva, café, música clássica e leitura. Daqui a pouco, o cachimbo. Combinação quase perfeita para uma manhã de dezembro, já de férias, final de ano, final de um péssimo ano. Os dedos escorrem pelas teclas com aquela necessidade de escrever algo. Não quero, porém, fazer nenhum balanço de final de ano como costumava fazer. As coisas ruins suplantaram as boas, peso maior para a morte trágica do meu pai, cujo rosto pude tocar pela última vez há pouco mais de dois meses. Os dedos continuam tateando o teclado. Há pouco estava lendo o romance O inverno e depois, de Luiz Antonio de Assis Brasil, editado pela L&PM. O protagonista, Julius, é um violoncelista, que tateia as cordas buscando o som perfeito, que toca no seu instrumento entre as pernas (o violoncelo, que fique claro) como se tocasse as curvas do corpo de uma mulher, que toca os cobertores que o protegem do frio do pampa, que toca o corpo das mulheres (Klarika, Constanza) como se tocasse seu cello. O toque é a preliminar do prazer…

Minha coluna de hoje no Digestivo Cultural

Imagem

Preferiria não escrever esta crônica

Há aqueles “memes” nas redes sociais que dizem “hoje estou me sentindo meio Capitu, com olhos de ressaca” ou “hoje estou me sentindo meio Brás Cubas, mais morto do que vivo”. Não vi até agora nenhum “meme” com a frase “hoje estou me sentindo meio Bartleby, prefiro não fazer”, caso contrário eu compartilharia. Essa frase, nas suas variantes em diferentes traduções, faz parte de uma novela de Herman Melville, Bartleby, o escriturário (ou o escrevente, ou o escrivão, também dependendo da tradução). No enredo, um jovem é admitido em um escritório de advocacia, com a função de copiar e revisar as cópias de documentos (século XIX, não havia xerox, é óbvio). Lá pelas tantas, quando o chefe lhe ordena algo, ele diz que preferiria não fazer, e não faz. Sua inércia causa indignação dos colegas e também do chefe que, no entanto, também sente pena do rapaz, visto que não consegue demiti-lo. Mais adiante se recusa a ir embora do escritório, chegando a morar no lugar. Por causa disso, muitas confus…

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Imagem
Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Sobre mais duas novelas de Lúcio Cardoso

Imagem
“Não se lê Lúcio impunemente”, afirma André Seffrin no prefácio à edição conjunta das novelas Mãos vazias e O desconhecido. Lúcio Cardoso é um escritor da angústia, de personagens angustiados e de leitores que se angustiam. Saímos de seus livros nos sentindo condenados por vivermos felizes em mundo em que a miséria humana está sempre presente ou a nossa porta ou dentro mesmo dos nossos lares. Mãos vazias foi publicada em 1938. Inicia com a espera de uma morte que acaba acontecendo logo nas primeiras páginas e é dolorida por se tratar da morte de uma criança. Luisinho, seis anos de idade, é filho de Ida e Felipe. Ela, até os últimos momentos de vida do menino está ao seu lado, numa dedicação extrema. O pai, por sua vez, apenas demonstra certa tristeza e desespero pelo que acontece. Quando a criança enfim se vai (e escrevo estas linhas num Dia de Finados) devido à tuberculose, Ida demonstra mais tranquilidade, frieza até, tanto que acaba fazendo sexo com o médico do filho logo depois de…

Sobre Passa-tres, de Orígenes Lessa

Imagem
Estou tentando ler todos os livros de contos do Orígenes Lessa, pelo menos os que eu consigo achar para comprar na internet. Depois de O escritor proibido, já comentado por aqui, e A cidade que o diabo esqueceu, li há pouco Passa-tres, primeira edição de 1935 e jamais reeditado, com a grafia da época, como se percebe no título. “Distrahido”, “egreja”, “mez”, “apparelhos”, são alguns exemplos de como as palavras tinham a escrita bem distinta. Vou manter a grafia nesta resenha, colocando um sic ao lado da palavra. O que marca a obra de Lessa é a simplicidade de um bom contador de história. Não era um escritor experimentalista e explorador da linguagem. Os temas variam, com algumas obsessões, como o suicídio e a superstição. Fiz algumas anotações sobre cada um dos contos e compartilho com os leitores. Lembro que o livro não foi mais reeditado e por isso deixo escapar algumas revelações dos enredos. O primeiro conto é “A virgem de Santa Anastácia”. O narrador, para se livrar de um mal enten…

Meu texto sobre o filme "Anomalisa" no Cineplayers

Imagem

“Não ser o normal”

Imagem
Você olha para os outros e enxerga os mesmos rostos. Ouve suas vozes e elas são as mesmas. Homens, mulheres, crianças. Passageiros do avião, taxistas, funcionários do hotel, ex-amante, esposa, filho, amigos. Todos são iguais, inclusive o presidente George W. Bush (o enredo se passa no ano de 2005) em uma foto na parede. Sua vida é monótona, lenta. Também sempre igual. Você está triste. Mesmo assim você escreve livros e profere palestras sobre vendas, dá dicas de como agradar ao consumidor, como, enfim, se dar bem com o público. Você se tornou um best-seller, é o famoso Michael Stone, seu rosto é reconhecido em todos os lugares. Você, no entanto, não reconhece as pessoas, ex-amante, esposa, filho, amigos. Você não sabe lidar com os outros, não os vê como seres únicos, especiais, apesar de ensinar a fazer isso em seu livro. Então você ouve uma voz diferente, uma voz encantadora no corredor de um hotel de uma cidade onde foi dar uma de suas tantas palestras. Você bate nas portas dos quart…

Você está demitido!

Já fui demitido duas vezes. Poucas, é verdade, mas foi porque tive poucos empregos na iniciativa privada. Da primeira vez, fui chutado de um motel, onde trabalhei por mais de 5 anos como auxiliar de escritório com múltiplas funções. Fiquei p... da vida, principalmente pelo motivo alegado. O tempo passou e me conformei. Logo depois fui trabalhar numa empresa de remessas expressas e dessa vez fui eu que pedi para sair, pois havia conseguido um contrato como professor no ensino público. Fiquei quase 10 anos lecionando com contrato temporário e fui nomeado, depois de passar em concurso, há apenas 3 anos. Nesse meio tempo, também consegui emprego em uma escola particular. Depois de 2 anos, no entanto, fui chutado, e bem chutado, me senti humilhado, inclusive. Vida que segue. Uma coisa que aprendi é que o empregador tem o direito de demitir quem ele bem entender e que não somos insubstituíveis. Por isso me incomoda quando vejo, principalmente na imprensa, uma gritaria quando profissionais s…

Nelson Rodrigues dixit

Imagem

Traçando Livros de hoje é sobre o samba

Imagem
Traçando sambas Aos mestres Jorjão e Alcemiro dos Santos
Vários sambas, não apenas livros, deixaram traços na minha vida. Muitas letras retratam passagens marcantes, momentos de prazer, dor, mas também felicidade, ou me fazem refletir sobre a questão humana. Letra de música não é gênero literário (por isso discordo do Prêmio Nobel concedido a Bob Dylan), mas a carga poética de muitas obras de sambistas não é inferior a de muitos escritores. De qualquer forma, é arte de primeira e foi trilha sonora de muitas de minhas leituras, bem como me inspirou a criar alguns contos, por isso me sinto na obrigação de render homenagem ao centenário do samba. Há 100 anos, foi realizada a primeira gravação de um samba: “Pelo telefone”, de Donga. O ritmo, que mistura diversos elementos da cultura negra com os de outras culturas, notabiliza-se pela qualidade de seus letristas, grande parte oriunda de morros e bairros pobres e sem estudos formais. Nelson Cavaquinho, por exemplo, empunhando seu violão nos ba…

Aniversariante do dia

Imagem