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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2017

Meus textos na Zero Hora e na Gazeta do Sul de hoje

Meu artigo "Quem é mesmo massa de manobra?" saiu hoje na página de opinião do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Com o mesmo título, mas numa versão estendida, o artigo foi publicado no jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul.

Mais uma coluna minha no Digestivo Cultural

Sísifo

1. Às vezes cansa existir. Cansa mesmo. No entanto, existimos. Não há um benfeitor que nos esmague com a ponta dos seus dedos como o faz Antoine Roquentin com uma mosca. “- Era um favor a se prestar a ela”, justifica-se perante o amigo que tentou impedi-lo. Esta passagem faz parte do romance A náusea, de Jean-Paul Sartre, ficção filosófica que discute justamente esse sentimento esquisito que é se saber no mundo. Por isso leio, leio e leio. É o que me conforta. Aliás, me causa um desconforto que me acalma. As inquietações provocadas pelas minhas leituras me conduzem, me elevam, não me deixam desistir da existência. Cansa existir. Basta, entretanto, descansar e começar tudo de novo, abrir um novo livro e empurrar a pedra até o topo do morro que vejo daqui da porta da minha toca. Sei que ela vai descer depois. Vai rolar de volta. Se não passar por cima de mim, tudo bem.

Júlio Nogueira retorna para dizer o que o fez abandonar uma leitura

Júlio Nogueira entra em contato comigo nesta madrugada do dia 17 de junho para que eu publique uma pequena crítica no blog. Voltou a dar aulas, mas continua refugiado numa chácara no interior do RS, talvez próximo onde morou por um tempo o Belchior. Contou que andou tentando escrever em um outro blog, dessa vez com um pseudônimo, mas não deu muito certo. Havia publicado este texto por lá. “Acho que no teu blog haverá mais leituras”, ele diz, ingenuamente.
Um livro que tentei ler dessa nova geração de escritores que desponta nas redes sociais (e sabe lidar muito bem com ela, diga-se) foi Jantar Secreto, de Raphael Montes, editado pela Companhia das Letras, uma editora com uma capacidade enorme de dar um ar de sofisticação para algumas porcarias. Espero sinceramente ter começado com o romance errado a conhecer o jovem escritor, porque a primeira impressão não foi nada boa nas primeiras páginas da obra. Sim, não fui adiante na leitura, e olha que costumo ler até o fim livros ruins.
O mote…

Bloomsday

Meu primeiro exemplar de Ulisses, do escritor irlandês James Joyce, tem 550 páginas, mas com letra bem miudinha. Comprei-o no final do século passado em um sebo da minha cidade. À época, estava tentando me tornar um escritor, o que tento até hoje, sem muito resultado, por isso lia enlouquecidamente. A edição em capa dura, vendida em bancas de revistas, é da coleção “Mestres da literatura contemporânea”, parceria das editoras Record e Altaya. A tradução é a clássica, realizada pelo Antônio Houaiss (sim, o mesmo que dá nome ao dicionário que veio para desbancar o Aurélio). Minha biblioteca ainda estava engatinhando (hoje posso dizer que está entrando na fase adulta) e com o novo exemplar ganhou o direito de pelo menos andar dois passinhos sem ajuda.
Agora tenho também, porém em versão digital, a tradução realizada por Caetano Galindo e editada pela Companhia das Letras. Intitulada Ulyssescom y, me fez reler parte da obra, agora renovada e com ótima introdução do professor Declan Kibe…

Conservadores querem mudanças

No Brasil, os conservadores querem mudanças, enquanto os ditos revolucionários querem deixar tudo como está. Ora, vivemos (ou vivíamos) no melhor dos mundos possíveis, afirma o Pangloss das redes sociais, que vive na pobreza há muitos anos, não é de agora, pulando de um emprego a outro (quando consegue um), morando de favor ou de aluguel em moradias precárias e mesmo assim grita que lhe tiraram o seu melhor mundo possível e que ainda querem lhe tirar mais. Não passa o óbvio pela cabeça do Pangloss, que o que ele tem (ou tinha) não é direito, mas sim migalhas que lhe servem (ou serviam), como isca, como aqueles cachorros de corrida que saem atrás de uma lebre mecânica. Há também o Pangloss da rede social, que estende seus tentáculos paras as salas de aulas, tanto do ensino básico quanto do ensino superior, acha que ele está certo, que está defendendo aqueles que necessitam, mesmo que aqueles que necessitam não concordem com que ele pensa. É aquele sujeito cheio da grana, que conseguiu b…

Escrevi sobre novo livro do Pondé para a Amálgama